Tenho tanta coisa pra falar. Meus sentimentos são únicos porque toda a minha existência flui através deles. Escrever é uma forma de materializá-los sem os tornar obsoletos com o tempo.
"Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente." ~ Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
"(...)Mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático,porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira.O outro te olhará com olhos vazios,não entendendo que teu ritmo acompanharia o desenrolar de uma paisagem interna absolutamente não verbalizável, desenhada traço a traço em cada minuto dos vários dias e tantas noites de todos aqueles meses anteriores, recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousaste definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia,interceptou o círculo do outro.
(...)E desejá-lo assim, com todos os lugares-comuns do desejo, a esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele vezenquando sejam um só, te encherá o corpo de uma força nova, como se uma poderosa energia brotasse de algum
centro longínquo, há muito adormecido, todas as princesas de todos os contos de fada desfilam por tua cabeça, quem sabe dessa luz oculta, e é então que sentes claramente que ele não é tu e que tu não serás ele, esse ser, o outro, que mágico ou demoníaco, deliberado ou casual te inflama assim de tolos ardores juvenis, alucinando tua alma, que o delírio é tanto que até supões ter uma. (...) Muito mais que com amor ou qualquer outra forma tortuosa da paixão, será surpreso que o olharás
agora, porque ele nada sabe de seu poder sobre ti, e neste exato momento poderias escolher entre torná-lo ciente de que dependes dele para que te ilumines ou escureças assim, intensamente, ou quem sabe orgulhoso negar-lhe o conhecimento desse estranho poder, para que não te estraçalhe
entre as unhas agora calmamente postas em sossego, cruzadas nas pontas dos dedos sobre os joelhos.
(...)Com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa."
Morangos Mofados (Trechos do Conto Natureza Viva, pág 74)
Caio F. Abreu
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