"Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente." ~ Caio Fernando Abreu

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sábado, 27 de agosto de 2011



Minto com os olhos

Finjo com palavras

Quando tento covardemente fugir dos meus sentimentos por você...



Verdade seja dita: coração fedelho esse meu. É. Estou falando sério. Fica por aí caindo em mãos erradas. Mãos ásperas que não sabem cuidar de coisas delicadas. Pior que, parece que ele gosta, cara! Explica pra quê esse masoquismo todo? E não adianta as advertências. Quando o sentimento começa sangrar, prende-se mais ainda às esperanças de cura, de reviravolta. Dor de amor não cura, meu bem. Os pedaços ficam presos a arame farpado. Curativo cruel? Não, querido. Está pensando que coração é como a cauda das lagartixas? É. Inflexível. Alguém arrancou pedaço do seu coração? Acostume-se sem esse pedaço. Sei, sei que é impossível. Você também sabe, né? Compreende agora o lance do arame farpado?



By Pollyanne Medeiros



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sábado, 6 de agosto de 2011

Falando [de]Lírios.


Inspiração: Leveza. Um descuido . Um deslize que seja pra que eu possa estabelecer um diálogo concreto com o pulso que me mantém viva.  Versos e inversos para sucumbir a penúria de qualquer coisa que ainda não sei o nome. Escrever e reescrever. Ler e reler. Rasgar cartas que nunca serão lidas. Poesias que nunca serão declamadas.  Ainda assim, será o meu “todo ser” nas linhas de um conto inacabado.
Começo a olhar pra maldita tela do computador numa súplica desesperada como se essa máquina pudesse ter algum USB para corações vivos e fazer um backup de todos os sentimentos. Numa pequena possibilidade desse feitio estaria eu pronta para conhecer tanto? Toda barreira que me impede de escrever sendo derrubada uma após a outra e lá estarei eu, caminhando sobre as ruínas resgatando o que ainda vive mesmo depois de soterrado.
De repente, vem uma história linda a ser escrita que pode ser uma lembrança verdadeira ou não, mas está lá. Vai ver eu li em algum livro e tenha gostado tanto da cena que tomei como minha. Acontece que eu sei que não está em livro algum que não seja o meu... Minha vida. Vou escrevendo e aquela voz de dentro vai desprendendo-se, materializando-se e, nasce um punhado de palavras que se alinham numa página qualquer de website.
A surpresa ao ler desalinhadas linhas submete-me a um pequeno desvio das ruínas. É quando me encontro novamente com a ausência de inspiração para escrever. Sim. Ruínas.  No entanto, abaixo delas tem alguma coisa que sobrevive, nunca entrega os pontos, não cede, não mata e nem morre. Minha vida e a sua depende disso...



E aí, escrevo que estaremos num futuro não muito próximo, mas perto o bastante que eu possa suportar a espera; sentados numa varanda, você e eu, um ao lado do outro de mãos dadas, num finalzinho de tarde qualquer, assistindo ao encontro do sol e a lua. Cada um disperso em pensamentos, compartilhando o silêncio sem se preocupar com a perfídia das dores, porque conhecemos a alma um do outro com a mesma perspicácia que uma gota d’água é interceptada pelos feixes de luz branca que fazem nascer o arco-íris.
Pensaremos naquelas tardes chuvosas as quais a distância nos tornou parceiros da solidão. Mesmo a saudade sendo hostil, foi nos piores momentos que descobrimos que um não viveria sem o outro. Talvez, viveríamos, mas nenhum de nós terá a coragem de partir.
Na mesma varanda falaremos de jardins, das folhas caídas do outono, dos desencontros que o inverno nos submeteu sem esquecermos que os lírios nunca deixaram de sorrir nos campos. O silêncio ainda fluindo, compondo linhas em nossas almas, liberando o odor suave do sentimento que, aos poucos rendeu-nos como as camélias que florescem mesmo no mais frio dos invernos e não têm suas belezas roubadas pela frente fria que vem dos trópicos. 

Lembraremos que tivemos uma conversa sobre este momento e, você me olhou com seriedade e perguntou se este é o meu sonho.  Respondi-lhe que não, que é real. Você sorriu e indagou: “Por quê?”. E, eu disse: “Porque eu quero!”. Suas mãos tocaram o meu rosto e seu sorriso beijou o meu, distou alguns milímitros nossos lábios e meu coração pôde ouvi-lo sussurrar: “Que seja!”.
E será.


By Pollyanne Medeiros


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terça-feira, 14 de junho de 2011


O Amor...
Gaivota em pleno firmamento azul.
Mergulha sublime e destemida na mais calma superfície do rio.
Busca alimento e o encontra. Sempre encontra!
O Amor é assim: voa. Livremente. Buscando alimento.
Mas, quem se dispõe á superfície?
Cansei de me dispor!
Quero VOAR!!!


By Pollyanne Medeiros.




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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A flor


Caminhava. Pensamento preso numa janela a qual há muito tempo envia um convite para atravessá-la. Ignorei. Por ora, ignoro. Esbofeteio duas caras limpas de uma vez só. Dormem, idiotas. Não tenho asas, mas tenho pés. A poeira também tem seus efeitos bons. Tardios, eu sei. Nocivos, talvez. Dolorosos, até. No entanto, não há nada mais compensador do que às margens de um lago lavar a face e sentir a brisa do vento prosear com seus traços delicadamente. Sem velocidade, sem pressa alguma.

Numa estradinha de terra, passos lentos e pouco seguros, eu seguia. Eis que,vi um lugarzinho remoto, pouco sofisticado e, lembrou-me muito a pequena fazenda de um tio. A casa bem humilde. A janela da frente, dava pra varanda. Era noitinha. Uma cortina dançava no ar, movida pelo vento. Uma luz de vela clareava o local. Havia alguém. Mais de um alguém. Parei. Fiquei observando. Meu coração disparou. A cena tão simplismente linda de se apreciar. Duas crianças brincavam de fazer bichinhos com a sombra projetada pelo pequeno feixe de luz. De longe podia ouvir as risadas. Tão felizes estavam. Senti muita vergonha de meus monólogos pessimistas.Continuei andando. Cada metro alcançado eu sorria com uma sincera vitória. É. Quanta coisa linda a ser reverenciada.

O céu noturno estava encoberto de nuvens insinuadamente hostis. Chuva. Alcançou-me alguns metros adiante. Não me importei. Pra quê? Vez em quando é necessário lavar a alma. Uma proteção sempre virá no momento certo. E veio. No mesmo lugar remoto. Avistei um estábulo. “Olá?”. Não havia ninguém. “Olá? Alguém aí?” , insisti. Sem ninguém, mas a porta estava aberta. Entrei. Um cavalo baio estava ali. Ignorou minha presença. Recostei-me num canto. Esperei a chuva passar. Adormeci. Permiti-me. Precisava de descanso.

Minhas pálpebras timidamente abriram-se. Meus olhos incomodados um pouco com um raio de luz que escapava pela fresta de uma das tábuas que erguiam o pequeno estábulo. O cavalo não estava mais lá. Minha supresa: Um copo de leite e um pedaço de bolo de fubá colocado cuidadosamente num prato bem ao meu lado. Engraçado... Não sentia fome, mesmo assim, quem quer que os tivessem deixado ali foi muito gentil. Foi o leite e o pedaço de bolo de fubá mais delicioso que já provei na minha vida. Sorri. Levantei decididamente pra continuar meu caminho. Outra surpresa: A porta do estábulo estava trancada. Por um momento, apenas por um momento senti desespero. Alguns suspiros depois, lembrei-me do raio de luz que me despertou. Fui até ele... Sim, eu tinha errado o caminho. Aquela porta fechada não era a mesma porta pela qual eu havia entrado na noite anterior. Alívio e alegria, juntos.

Forcei a porta para abri-la. A paisagem mudara drasticamente. Não lembrava nada a noite chuvosa da noite que passou. Mais um sorriso. Outro mais. Avistei a humilde casa a qual observei as duas crianças brincando. O Baio galopeava no campo tão belissimamente verde. As duas crianças encontravam-se agachadas alguns metros adiante. Não pude ver muito bem o que faziam. Uma delas levantou-se e virou em minha direção. Falou alguma coisa e a outra criança também olhou. Olharam-se, falaram alguma coisa, agacharam-se novamente e correram até a mim. Pararam subitamente diante do meu olhar surpreso. Sorriram. Uma delas ergueu a mão à posse de uma flor e a outra disse: “Uma lembrança da noite que passou.” Um sorriso dentro do meu coração transpareceu em meus olhos. As duas crianças soltaram um lindo sorriso sonoro e, satisfeitas, ambas correram até o baio que, parecia estar esperando por elas. Montaram-no e, seguiram rumo ao lado oposto à estradinha a qual eu caminhava.





Moral da história: Nunca estaremos sozinhos num momento difícil. Até mesmo depois da chuva, uma flor pode nos fazer sorrir.

By: Pollyanne Medeiros.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Meia-lua. Algumas estrelas resistiam ao tempo fechado.


Ainda havia luz, esperança.

Seu olhar contemplava esse cenário no céu e não pode deixar de sorrir o quão verdadeira era a mensagem daquela noite.
 
 
By Pollyanne Medeiros

sábado, 9 de abril de 2011

Esfera insondável

Um circulo fechado. Girando. Girando. Procurando um ponto certo. O ângulo perfeito.

Não estou tonta e nem perdida. Meus sentimentos giram, como uma roleta russa. Não tenho medo do que pode acontecer quando a roda finalmente decidir o grau que vai parar nesta circunferência.

O fato é que haja o houver meus sentimentos giram a 360° ineterruptamente. Não é minha escolha.

O privilégio de interferir nas decisões do meu coração não cabe a mim.


by Pollyanne Medeiros

segunda-feira, 28 de março de 2011

E a janela está aberta...

Voa coração...
Eu te liberto da corrente do tempo.
Abençoe o meu caminho.
Seja meu guia e voz... 
Estarei te seguindo.
Ouvindo.
Amando...
O mundo alcança-me apenas os pés
Mas, com você alcanço TUDO!




by Pollyanne Medeiros




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quarta-feira, 2 de março de 2011

Devaneios



Assovios ao longe. Bem longe. Uma esfera no topo da montanha. Lá vem a solidão embaçando as vidraças. Fumaça de cigarro sufocando pulmões sadios. Verdadeiramente escondendo suas loucuras num estojo de tecido branco encardido e surrado. É uma batalha de praxe em sua vida quando a única companhia para suas angústias são as letras do alfabeto. Não importam as lacunas a serem preenchidas e nem os desaforos levados para casa. Ousar não é um grande negócio quando a necessidade da cura obstrui qualquer passagem para o fatídico orgulho.
Por isso, ela procura espaço no seu caderninho. Folhas em branco, apertando a sua caligrafia a fim de que as páginas já escritas possam dizer um pouco mais sobre (ou como) - suporta - suas dores.   
Segura firme a caneta entre os dedos. Não quer arriscar que linhas assim saiam trêmulas. Não. Mãos fortes sempre agarram com mais força qualquer objeto... E ela não vai soltar. Porém, ela sabe que o quê não estiver no papel, brevemente estará no céu de sua boca desatando nós e qualquer vestígio traiçoeiro que se manteve escondido na alma será compelido.
Uma dose de álcool a submete à extropecção até o segundo em que se vê perdida no abraço cheio de calos da ilusão. Procura motivos para sacrificar sua desinibida invenção de felicidade. Sempre encontra. O medo se transforma em coragem para se desfazer dos últimos pedaços dessa colcha de retalhos suja de suor e sal. Nem sexo. Nem beijo. Nem lágrima. Nem suspiros. Nem sabor. Nem sua aguçada intuição. Nem caralho nenhum de objeções alheias.
Ela sabe. Provém-se. Mas, isso não basta. Ela quer mais e vai ter. Fim. Enfim. Querubim.


by Pollyanne Medeiros



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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dialogando com a Ilusão - Vestígios



A luz dos seus olhos ainda queimava os meus. Senti-me tonta e totalmente incapaz de desviá-los. Eu mais que queria permanecer ali. Eu precisava. No peito doía a angústia e o gosto amargo da rejeição confrontava com o orgulho. Fingir não é fácil. O autocontrole exigiu muito de mim e quase (apenas quase) cedi às minhas frustrações diante dele.
Provavelmente, ele não percebeu. Uma mistura de sensações nada boas represou-se na parte mais obscura da minha alma. A raiva era uma semente miúda brotando. Eu era capaz de sentir cada estalo dessa semente germinando, crescendo, até que não pude mais resistir. Fechei os olhos e parei de encará-lo.
Acho que ele disse alguma coisa só que eu estava tão absurdamente mergulhada no mar negro e assustador da desilusão, que não entendi.  Derrotada pela humilhação, cedi o nó da garganta.
“Tudo bem”. Foi Apenas o que consegui dizer.
“Não quero magoar você”.
“Não”. Gritei. Estretei os olhos ao vê-lo levantar aquelas malditas sobrancelhas a despeito de minha raiva. “Não faça isso. Dê espaço à hipocrisia na sua vida. Fique com ela e faça bom proveito.”
“Mas o quê...?”
“Se você vem com aquele discurso estúpido de que ah-você-merece-alguém-melhor-do-que-eu, dane-se”. Interrompi-o. O jeito que ele me olhou, assustado e impotente - isso filho da puta, vou acabar com você – entregou-o.
“Tinha um discurso pronto, hãm? Canalha! Muito típico de você”
Soltei um riso de deboche, virei-me apressando o passo. Eu tinha que sair dali. Mesmo com toda aquela raiva, estava insegura, vulneravelmente passível a engolir cada palavra de volta. Aqueles olhos. Como pude ser tão idiota? É claro que ele falaria isso!
Ouvi passos pesados atrás de mim. Tentei correr. Tarde demais. Suas mãos alcançaram meu cotovelo esquerdo, virando-me de forma brusca, deixando-nos numa posição muito.... Perto demais.
“Helena, as coisas não precisam ser desse jeito. Adoro você. Quero ser... Puxa vida, nós podíamos ser amigos. Apenas amigos.”
Amigos? Em que planeta ele está? “Não vou pra cama com amigos, Lúcio.” Minha voz começou a vacilar e me amaldiçoei por isso. De alguma forma, a tristeza e a dor ofuscaram a raiva e, de repente, perdi a defensiva. Acabei desarmada pela perigosa proximidade de nossos lábios. Não havia porque continuar remando contra a maré. Eu sempre soube que pisara em campo minado ao ter saído com ele. O alerta estrindente berrava na minha cabeça. Perigoso! Perigoso! Eu só esperava que ele percebesse que eu não era uma mulher qualquer. No entanto, fui enganada pelas expectativas.
Perdi. Aceitei isso. Lúcio ainda mantia seu olhar fixo em mim. Odiei o olhar desvendador. Ele parecia ter escaneado todos os sentimentos de minha alma. No dele, lia apenas piedade. Decidi que não precisava disso.
Busquei dentro de mim uma máscara para disfarçar minha desolação, mas sabia que era inútil. Com ele era. Nocauteada, assumi meus sentimentos. Eu lidaria com a autopiedade depois. Superaria isso.
“Eu agora estou inteira, sabe?” Lúcio, não disse nada. Suas mãos ainda seguravam meu cotovelo com firmeza mantendo-nos ainda perto, perigosamente perto, o que tornava ainda mais difícil falar. Percebi que o seu olhar de compaixão mudou pra uma certa curiosidade e se manteve atento conforme as palavras saiam da minha boca.
“Quando eu me apaixonei por você foi como se uma parte de mim tivesse desprendido para estar sempre com você. Esta parte, Lúcio, você escolheria se aceitaria ou não.” Suas mãos por um momento afrouxaram-se do meu braço, mas subitamente garantiram firmeza outra vez. Por que ele não me solta? Meus impulsos estavam totalmente absorvidos pela calma. Isso me fez sentir segura nas palavras que saíam. Não seria sincera se eu dissesse que não doía. Por isso, rendida pelo sal líquido que definitivamente delineava meu rosto, inspirei fundo, soltei o ar vagorosamente e continuei: “Agora que fizeste a tua escolha, esta parte está juntando-se a mim outra vez. O que dói, não é a fusão, mas os vestígios de você que vem junto com ela.”
“Do que você está falando”? Lúcio, tinha uma expressão confusa agora, mas ainda mantinha o olhar o interessado e seu rosto perto, muito perto. Perto demais. Olhei para ele mais profundamente quanto pude, deixando que o silêncio pudesse explicar mais do que mil palavras. Rompi as amarras que me impediam de ousar e o beijei. Beijei. Ardentemente. O meu beijo mais apaixonado respondendo qualquer outra pergunta não verbalizada por ele.  Relutante no começo, aos poucos ele foi cedendo ao beijo que eu o faria entender. Sua língua foi tornado-se impetuosa e indecente em minha boca. Sua respiração tornara-se tão pesada quanto a minha. O restante do espaço que existia entre nós, fora totalmente preenchido pela luxúria. Perdi a noção de tempo, lugar e pessoas. Nada existia. Só nós dois. E uma parede. Certamente uma parede materializou-se ali. Lúcio gemia baixinho na minha boca. Suas mãos exigiam os lugares mais proibidos. Cada célula do meu corpo respondia com louca paixão ás suas carícias.
Foi com muito esforço que consegui empurrá-lo. Por dois motivos: primeiro porque ele demonstrou bastante resistência e, segundo porque eu também não queria soltá-lo. Lúcio por um momento insistiu, mas o empurrei. Sorri quando vi que ele tinha aquele olhar sedento de desejo. Ele devolveu o sorriso. Por um segundo, quase cedi. Quase.
“Do que estou falando, Lúcio”? Devolvi a mesma pergunta que ele havia feito. Levantei as sobrancelhas e respondi antes que ele dissesse alguma coisa: “Estou falando disso que acabou de acontecer. A parte de mim que você despreza parece ser ironicamente incapaz de ir embora."
Percebi a compreensão sobressaltar um brilho nos olhos dele. Sorri. Dei a volta. Segui meu caminho. Sem olhar para trás.

By Pollyanne Medeiros
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dialogando com a Ilusão - Parte III - A Taça de Vinho





Outras idéias, outros planos, um cigarro pela metade, cachos longos presos num "rabo de cavalo". Tronco recostado no peitoral da janela, olhos marejados desafiavam a noite escura a fazê-la dormir. Passos pela sala fez-na sentir calafrios. De novo, não. Antes mesmo que pudesse reagir a névoa já rodeava seus flancos, materializando-se num calor familiar.
Um dos perigos de querer estar só era exatamente a sua pouca – ou nada – resistência em manter-se lúcida. Lembrou-se da última vez em que o viu naquela praia. Aquela praia. Nostalgia. O ponto de partida pra que o véu do passado ignorasse seu afã em esquecer. Impossível. E, ainda olhando para o céu pode desenhar como em uma tela, quadro a quadro, suas lembranças. Os dois. Só nós dois. Pele com pele. Lábios com lábios. Sexo com sexo.  Ousadia e tesão misturados fizeram-na perder o pudor. A praia. Só nós dois.
“Vem comigo e não tem medo, disse-lhe.E, não teve.
Estava tão concentrada nas lembranças que nem sentiu ele se aproximar. Afastou seus cachos que lhe cobria a nuca e deu um beijo de leve subindo até a parte de trás da orelha. Ele sabe como me render. As pontas dos seus dedos faziam uma trilha perigosamente delicada nos seus braços nus. Deveria ter ficado constrangida ao sentir que seus pelos eriçaram, mas ela estava gostando disso e ele sabia.
“Está tentando me enlouquecer?”
“Ainda não está louca?”
“Posso mudar de idéia se eu quiser.”
“Hum... Eu não vou deixar.” Sua voz era tão envolvente tanto quanto cada toque que ele projetava em seu corpo. Ela sequer resistia a um olhar dele por mais desinterassado que fosse. Aos poucos foi sentindo seu corpo queimar. Ele ainda brincava em seu pescoço dando beijinhos de leve, provocando-a, aquecendo-a, enebriando-a. Gemeu.
“Quer mais?”
Helena sorriu e virou-se de frente pra ele, aproximando seus lábios sem se tocarem. Envolveu o pescoço dele numa carícia suave com uma das mãos, puxando-o para mais perto de seu domínio secreto, enroscando seu corpo no corpo dele, abraçando os seus quadris com uma das pernas, proferiu-lhe numa voz sussurrante e quase sem fôlego: “Mais.” O beijo foi ardente. Um convite para a cama. Um convite para o pecado. Não se sabia mais quem estava mais sedento. A fonte transbordava e o apelo sensual de suas provocações liberou as mais perigosas fantasias.
“Quem é mais louco?”
“Você.”
“Eu gosto disso.”
“Eu sei”.
Helena rendia-se como sempre. E o pecado que se consumava entre os dois era algo permanente. Sua loucura não a levava muito longe, exceto quando a única coisa que lhe pertencia que era somente o que ele poderia dar-lhe, permitia-se ir mais longe, perdendo seus pudores, ignorando os seus princípios. Era difícil sobrar alguma lucidez quando ele estava assim tão faminto, explorando seus domínios. Ela o queria. Ele a queria. Isso era tudo. Fogo e água. Um acendia, outro apagava. Um queimava, outro aliviava. Não importava quem assumia os papéis. Os dois consumiam o desejo como uma taça de vinho a ser bebido. Quente. Inebriante fragância.
“Tua boca”.
“Te cheiro”.
“Pele...”, ahhhhhh...
...
Nem um gole. A taça de vinho jazia espatifada no chão do seu quarto. Estava sozinha. Malditas lembranças. Pseudo-lembranças. Lutar para que o seu coração não tivesse o mesmo destino que a taça aos seus pés custava-lhe mais do que juízo, mas seu valor. Enloqueceria. Ela sabia disso. Um convite mudo das chaves do carro fez-na despertar pro mundo lá fora. Sairia de casa e, transfomaria o envolvente diálogo na recordação perfeita, uma tatuagem perfumada na sua pele... E ela foi!


by Pollyanne Medeiros


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Devaneios

Era uma vez um coração...
Ali morava um andarilho, pobre andarilho. Todos os dias olhava pela janela um céu azul, um firmamento noturno cheio de estrelas e pensou: “Quisera eu...”
O céu tem seus mistérios. Percebendo a humildade do pobre andarilho, eis que a lua intercedeu por ele e presenteou-lhe asas... 

E, disse-lhe:
“Voarás por todo o firmamento. Conhecerás do alto a tua morada – entre as estrelas e o coração – e escuridão alguma irá atormentá-lo.”



E, o  andarilho está voando, voando, voando...

Se alguém tomar todos os seus bens e comprar o Amor... Este alguém só merece desprezo.

O Amor é progressivo, precisa ser consumado, não forçado: ele tem seus próprios caminhos..


E, eu que pensei que já sabia tudo sobre o Amor...


Pollyanne Medeiros







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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Casa das Borboletas



Nem imaginava um dia compreender o caminho.
Sequer acreditava que me fosse dada essa dádiva.
Existe herança mais linda do que essa: Livre-arbítrio?
Se Deus Onipotente, Onipresente e Onisciente foi tão maravilhoso pra nos abençoar com esse presente, por que eu não faria?
Se quiser me abraçar, abraça-me. Envolver, envolva-me. Voaremos juntos.
Uma janela foi aberta...
E, existe um céu azul.



Pollyanne Medeiros

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Frases pra ele... (meu Amor)


Amor,

Estive te observando pela janela. Um vôo tão lindo



Pollyanne Medeiros.















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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dialogando com a Ilusão - Parte II





A praia estava lotada. Havia muito barulho e Helena não se sentia uma boa companhia. Afastou-se da multidão para abstrair. Há alguns dias havia decidido que passaria o reveillon em casa, sozinha e assistindo algum filme baseado nos livros de Nicholas Sparks. Estava sentindo-se instrospecta demais para se misturar socialmente, mas seu quarto naquelas poucas horas antecedentes ao ano novo tornou-se um ambiente hostil e a última coisa que queria era virar o ano claustrofóbica. Ainda dá tempo de chegar á praia, pensou.
Não se incomodou em arrumar-se muito. Pegou as chaves do carro de cima do criado-mudo. O celular de repente tornou seu inimigo mortal. Você não merece essa regalia. Vai ficar em casa.Virou-se e com passos decididos seguiu até o carro prometendo a si mesma que se esforçaria, faria alguma coisa pra se distrair. Quando chegasse à praia procuraria por alguém conhecido. Dentro dela uma voz irritante praticamente gritava que isso não funcionaria. Pelo menos, não na praia, não exatamente naquela praia. Sou mesmo uma idiota.
        
Apesar do arrependimento de estar ali, ao menos algo ela sabia que poderia fazer.  Pensar. Afastou-se apenas o suficiente até que os sons de música misturada ao vozerio da multidão ficassem amenos e o fluxo de pessoas mais reduzido. Havia alguns casais por ali. Perfeito. Ironicamente perfeito.Deitou-se na areia. Sequer seus olhos voltaram-se para a belíssima abóboda, o choro contido por dias ameaçava romper as represas. Dói. Porque tem que doer tanto?  Fechou os olhos e se permitiu e, chorou, soluçou, lembrou – lembrar não doía tanto – o que a despedaçava era não sentir esperança.  Aos poucos o alívio se aproximava... Ele vinha. Sempre vinha. Então, ouviu:
“Sabe, existe uma tecnologia muito conhecida chamada celular?! Fica muito difícil hoje em dia contatar alguém sem ele.”
Oh, meu Deus!  “Sim, eu sei. Contudo, a referida tecnologia não se aplica quando alguém não quer ser incomodado!”, disse rispidamente. Não. Definitivamente não. Vá embora! Apertava os olhos com força desejando que ele realmente fosse embora. A última coisa de que precisava era ter que lidar com as dolorosas manchas de névoa no seu primeiro dia de ano.  Não pode ser mais forte que eu. O perfume de Lúcio foi tomando espaço. Não precisava abrir os olhos para ver que ele já estava deitado ao seu lado. Facilmente podia imaginar a imagem dele com os braços cruzados apoiando a cabeça e um sorrisinho discreto sendo observada pelo cantos de seus olhos. Recusava-se ainda a abrir os olhos, mas não resistiu muito tempo.
E, como imaginava, Lúcio a contemplava pelo canto dos olhos com o mesmo sorrisinho discreto que lembrava. De repente, Helena viu sua irritação dissipar-se.  Naquele momento parece que ambos decidiram assumir o silêncio, olhando o céu compor música com estrelas. Uma música chamada “nostalgia”... Pelo menos, para ela. Cada brilho sublinhava uma nota e tons diferentes que de alguma forma fazia Helena querer mais, muito mais que estar ali apenas deitada ao seu lado esperando que a qualquer momento a névoa dissolvesse o restinho de esperança que se escondia dentro dela.
O silêncio foi tomando forma, vida e calor. Com gentileza Lúcio ofereceu o seu braço para que recostasse sua cabeça. O céu ainda cantava. Um eco de palavras não ditas desenhava um belo quadro em que a moldura perfeita era apenas o momento presente. Nada além do presente. A areia sob dois corpos nada significava. As pessoas ao redor nada significavam. As cortinas da ilusão serem rasgadas pela realidade também nada significavam. Os dois estavam ali. Juntos. “No que você está pensando?”, perguntou Lúcio. Helena sorriu. Sorriu de verdade. Nesses momentos sempre era ele quem rompia o silêncio. “O quê?”, insistiu ele.
“Estou conversando com uma estrelinha”, respondeu.
“O que vocês tanto conversam?”, Lúcio ingadou outra vez.
“É segredo”.
“Por favor? Vou perguntar pra ela”.
“Hum. Bem, a estrelinha é minha, e pra ela falar com você, eu preciso dá permissão”.
“Ah, não vale. Então, vou conversar com a minha estrelinha agora”.
Helena quase podia tocar a felicidade. Apenas quase. Virou o rostou para observar um Lúcio muito pensativo e podia jurar que , bem... Sonhador.
“Lúcio”?
“Shhhh”.
Eu o amo tanto.
Fiz um pedido pra minha estrelinha. Na verdade, pedi um conselho”.
Lúcio ergueu-se do chão e sem tirar o braço debaixo da cabeça dela, posicionou o corpo apoiando-se de lado para que pudessem ficar cara a cara. Com a mão desocupada fez um toque carinhoso em sua bochecha que a fez sentir inexplicáveis sensações fluírem em seu corpo. E, ficaram assim por longos segundos. Olhando-se, desvendando-se...
“Conselhos”?, Helena perguntou sem ter certeza de que ela queria continuar a conversa.
“Sim”, respondeu-lhe Lúcio, simples e laconicamente ainda encarando-a. Este olhar que a fazia imergir em perigosas águas. Sentiu a pele do rosto ficar cada vez mais quente. Arfou.
“Nossa!”, finalmente conseguiu dizer. Ela queria remexer-se, fazer alguma coisa, alguma desculpa para desfazer aquela posição que o mantinha tão perto. Não. Ela não queria. Para sua surpresa, Lúcio voltou para a posição anterior, vagarosamente. Continuou fitando o céu. Alguns segundos depois...
“Eu disse a ela que quero muito fazer algo, mas não tenho tanta certeza se eu devo. Perguntei o que ela achava.”
“E?”
“Ela riu da minha cara.”
“Sério?”, perguntou Helena entre gargalhadas.
“Aham. Ela também disse que devo perguntar pra sua estrelinha.”
Helena mal podia acreditar o que via nos olhos de Lúcio. Eu devo estar louca. Impossível! Estava ali. Estava ali mesmo. Sim, o amor que ela tanta pedia, tanto queria. “Lúcio, o que sua estrelinha disse pra você?”
“Conte-me.”
“E-e-u não posso Lúcio.”
Houve alguns segundos silenciosos. Helena apertou os olhos com a maior força que pôde. Vá embora. Vá embora. Sentiu o toque caloroso das mãos de Lúcio acariciar a ponta de seu queixo. Com delicadeza a puxou para mais perto de seu corpo. Colocou os lábios bem próximos ao seu pé de seu ouvido e sussurrou: “Eu te dou minha permissão"! 
Tão frágil estava sua resistência. Tão perto estava da insanidade mas, bastava um segundo a mais. Só um pouquinho pra lucidez libertá-la da ilusão e, foi assim que aconteceu. Helena abriu os olhos, o céu estava brilhante. Estrelas e fogos de artifícios faziam festa enquanto as lágrimas salgavam a pele do seu rosto. Ao seu lado, o vazio, a névoa e pequenos fragmentos de esperanças.

Pollyanne Medeiros.




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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desabafo...


Três anos. Um amor. E não me venha com conselhos porque nenhum será bem-vindo. Já cansei de dizer que o que sinto e guardo por ele não foi algo que pedi pra sentir e nem posso decidir não sentir. Não há nada que possa ser dito ou feito pra mudar isso. Não hoje. Amanhã? Quem tiver o poder de saber das coisas por favor, compartilhe comigo. A dor e a esperança caminham juntas mas, posso conviver com elas. Uma precisa da outra e eu preciso das duas. O “Se” é o que tem me consolado. Quem quiser ser estúpido o bastante para me chamar de burra, comece agora... Eis, minha resposta: “O meu coração não é terreno baldio.” Pois é, pelo menos eu assumo que sou idiota e não fico bancando a descolada ou a “ah-o-que-é-que-tem?-um-amor-se-esquece-com-outro-amor”. Eu me assumo e assumo meus sentimentos. E digo toda essa dor escrota que tem dentro de mim que eu amo. De verdade. Mais que verdade. Tento puxar o ar e fica lá... Preso. Não liberta. Está preso e dói pra caraca. Deus como dói! Peço tanto, tanto, tanto... Ao menos, permita que eu chore e chore muito, preciso chorar, porque esse nó na garganta está reprimindo, sufocando tudo! E, sim, respirar também dói. E muito. Está no peito, na alma, na minha vida.
Pra ele...
A dança. Aquela dança que nunca serei capaz de esquecer. Tu não entendes... Não vai entender porque nunca se permitiu.
Perdi a chance de ter você, com o meu próprio consentimento.
Uma revelação: A partir do momento que descobri que te amava – amo -, eu te libertei. Só por isso, em absoluto e exclusivamente , consenti...
Mesmo sentindo dor, não fazia sentido pra mim, prender você. (Tu nem imaginas, nem sonhas...)
Seja livre.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Coleções de Esperanças - A primeira coleção

Ele: Eu sou teu!
Ela: E se eu começar a acreditar?!
Ele: Vai enlouquecer.

Aplica. Você sabe, não sabe? Devia saber. Não são os loucos que acreditam na mentira, mas os sãos. Mentindo pra mim que já sou louca não fará de mim mais do que já sou em minha essência. Mentes, no entanto, não o fazes direito. Por que se o fizesses bem, não diria que és meu, mas que sou tua. Aí sim, minha demência surtaria. Como eu seria tua sem que fosses também meu?

By Pollyanne Medeiros



Como diz Tati Bernadi: “NÃO SOMOS UM CASAL MELADO, MAS DUVIDO QUE TENHA ALGUÉM QUE DUVIDE DO NOSSO AMOR. QUER DIZER, A GENTE DUVIDA, MAS A GENTE É LOUCA. ...”


Adendo: img da web

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coleções de Esperanças - Conto: Tarde sombria

“‘Não, meu bem, não adianta bancar o distante, lá vem o amor nos dilacerar de novo... ’ (...) Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal.” Caio F. Abreu, Pequenas Epifânias, Conto: Extremas da Paixão.

Pequeno prefácio de uma tarde sombria...


Tarde nublada. Nenhum telefonema, torpedo ou qualquer coisa que transformasse o tempo. Olhava-se no espelho e desejava maquiar a própria alma. Um blush para esconder a palidez, um corretivo pra disfarçar as cicatrizes, um batom pra pintar um sorriso e, assim, quem sabe conseguiria enganar a si mesmo que estava bem. Tudo bem. Sua alma tão transparente que olhando a si mesma o espelho converteu-se em pequenos pedaços de alma... Alguns pequenos, outros grandes, uns quase um grão de areia, mas ainda assim, perigosamente pontiagudos, cortantes e ameaçadores.
Onde ele está? Perguntava-se constantemente. Por que não ligou, não me procurou? Sentia sua intuição responder-lhe. A lógica tão próxima e quase palpável a fez rebelar-se. Um istinto protetor àquilo que sempre a alimentou. Não mexa nas minhas coleções! E o juízo de sua intuição não cedia. Ele só usou você. Usou você. Usou você... O eco estridente a fez escorregar contra a parede com as mãos lhe tampado os ouvidos como se aquilo pudesse silenciar a voz que a alertava que deveria desistir. Cale-se. Por favor, cale essa boca! O sal começou a deixar frágieis trilhas na sua face. Ela não queria, jurava que não queria. De novo, não. Não desta, vez.


Antes do entardecer...


Estava atrasada para a faculdade. O dia estava lindo. Tudo parecia fazer sentido tão lindamente que se despreocupava com alguns minutos de atraso. Foi pra parada de ônibus sem pressa. Cada centímentro de seus passos acampanhava sua respiração. Podia sentir o sorriso bobo manifestando a tão presente felicidade. Algo novo. Alguma coisa muito boa estava acontecendo. Lembrou-se de um jardim em início de primavera. Sim. Era isso que estava acontecendo. E, por isso, o dia estava tão lindo. A primavera finalmente chegou.
Na faculdade, nem percebeu que estava ainda sorridente pro seu próprio mundo. Abriu a porta da sala, seus colegas e a professora a olharam com admiração. “Nossa, me empresta um pouco desse sorriso?” Disse um deles. Betina sentiu que a felicidade que a consumia por dentro criou uma espécie de ponte e ela abriu passagem a todos a sua volta. E, todos decidiram atravessar. “Estás tão bonita hoje!”, falou Dany, uma colega de faculdade que acabou tornando sua amiga confidente junto com Andréia nos dias de tempestade. “É, eu acho que sim. Sinto-me bonita hoje. Isso deve fazer alguma diferença.”, disse Betina entre sorrisos tímidos. A professora pediu que a turma voltasse a atenção à aula e, diringindo um sorriso a Betina, falou:
- Parece que você trouxe um bem-estar pra sala, Betina, mas gostaria de voltar a ser o centro das atenções se não se importa.
Betina retribuiu o sorriso e, enviou um silencioso “desculpe” á professora. Recebeu um condescendente olhar seguido de um “Tudo bem!”. Sim, pensou Betina, está tudo muito bem! Supirou. Vieram-lhe as lembranças da noite anterior. A dança, o beijo... Ah, o beijo. O princípio de tudo. Não conseguia parar de pensar naquele primeiro beijo. O beijo que desenhou loucuras na sua pele e... Ploc!"Ai!".  Sentiu um pequeno golpe na cabeça. Confusa, olhou para trás, seus colegas riram a despeito da segunda advertência de uma já impaciente professora. “Olha pro chão, lerda!”, sussurrou Andréia apontando para o chão a sua esquerda. Lá havia uma borracha com um papel preso nela. Betina juntou e leu a mensagem.


B,
Acorda lerda. Volta pro planeta Terra e presta atenção na aula! Outra coisa: Não vamos aguentar até o intervalo para saber o motivo desse sorriso idiota na tua cara. Exigimos uma explicação por escrito agora. JÁ! Please?
D e A.


Betina sorriu. Primeiro decidiu não contar nada a elas, ainda, só por ter sido chamada de lerda duas vezes. Porém, ponderou um pouco mais e resolveu contar-lhes já que as duas sempre foram boas amigas.


D e A,
Acho que finalmente fui emboscada pelo amor. Não há saída. Ontem tive uma noite perfeita. Não fomos mais além, mas ficou um gostinho de quero mais. E, eu quero mais. Só tem alguns probleminhas, nada que eu não possa lidar. Os detalhes eu conto depois, no intervalo. Prometo!
B.

Devolveu o bilhete. Sentiu uma vontade súbita de cabular aula. Estava realmente em outro planeta e prestar atenção à aula estava sendo realmente uma tarefa muito complicada. Seus pensamentos dançavam a música perfeita com a pessoa perfeita.
Uma semana se passou. Mais uma vez a tarde sombria manisfestava-se na vida dela. A diferença era que dessa vez ela queria que fosse diferente. E ela fará a diferença acontecer. Não permitiria que suas coleções fossem adulteradas. Permaceu assim, anos lutando contra a voz insolente da intuição. Até hoje. Até o pra sempre.


By Pollyanne Medeiros.



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sábado, 27 de novembro de 2010

Conto 1º: Coleções de Esperanças

"Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus — enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro". Caio F. Abreu


Uma sala vazia. Apenas um silêncio mudo atravessa a garganta e sentimentos hostis arranham as paredes. Está sangrando e, muito. As evidências de que uma vida respira ali sucumbirão. Nenhuma pista, nem memória e nem fotografias.
A janela está aberta, mas foi esquecida. As fechaduras da prisão foram violadas e não um há plano de fuga. O céu gris ameaça uma tempestade. Os punhais de seu algoz têm as pontas envenanadas, ela não resistirá muito tempo. E, a tempestade virá. Com certeza. O dilúvio a afogará, aniquilando o último suspiro, o pouquinho que lhe resta.
Luna tivera um dia ocioso. Algumas leituras a distraíram, mas as horas estavam absurdamente letárgicas. Tudo o que queria era ser a dona do tempo nessas desgastantes esperas. Recusava-se a encontrar um remédio para as suas inquietações. Muitas tentativas frustradas de despistar a desesperada melancolia que rugia dentro do peito a fizeram finalmente ceder. Fora vencida. Apunhalada. Decidiu ir para o boteco mais próximo e desmembrar o terreno baldio que a compunha há dois outonos numa tarde de ingestões etílicas e baforadas de nicotina.
Ela sabia que sua atitude pueril apenas anestesiaria a sensação escrota que corrompia sua paz. Pouco importava o julgamento alheio. Conhecia muito bem os venenos do covil de najas. Ignorava. Repudiava. Um copo. Dois. E mais uns mais. Folha de papel e grafite. Começava a mapear até encontrar a estrada, o caminho certo... Não imaginava que as vertigens do seu sangue maculado a guiaria para um campo minado. E, o senhorio do tempo, codinome destino, a colocaria outra vez cara a cara com uma velha conhecida: solidão.


By Pollyanne Medeiros.





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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sobre o Amor... II

"Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco vai ser tudo passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco..." C.F.A

É Caio, você tem toda razão! ;)



Existem algumas razões que me inspiram a escrever: amor, solidão e outra vez amor. Mesmo os desabafos mais ferinos e eufóricos ao serem expurgados de dentro de mim têm uma dose de amor. Nunca menti sobre isso. Não falo apenas do amor Eros, mas também do amor Ágape. Um e outro pra mim é a mesma coisa. O Amor não compõe linhas paralelas, mas um ponto de partida – segundo minha concepção.
Não, não se engane eu não tenho PhD em amor. Todas as minhas coitas de amor foram de alguma forma, transpassadas numa folha de papel. Onde definições como amor próprio e alma gêmea entraram em colapso sem que eu pudesse encontrar uma conclusão absoluta.
Insegura, apesar de sentir a força que opera e movimenta todos os deliríos nesse caos de amor e dor de cotovelo, a única estrada que prossegui foi a da lucidez. Toda loucura que fui capaz de cometer em nenhum momento comprometeu minha sanidade mental, pelo contrário, desobstruiu a passagem para o mundo real. Sim. Sofri muito. Mas pequei muito também. Mereci todo sofrimento. Precisava disso. Precisava amadurecer.
Foi nessa percepção nova que tive uma revelação: as minúcias dos amores que tive me fizeram criar coragem para mergulhar num velho e conhecido mar de primícias infantis e, quando emergia, eu voltava um pouquinho mais forte, madura e decidida.

By Pollyanne Medeiros


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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sobre o Amor...

É quase como o despertar de um sonho. Não que seja algo frustrante, pelo contrário, é inexplicavelmente emocionante se o sonho é tão real quanto se está de olhos fechados. Pergunto-me se isso é possível, viver o sonho quando o único motivo que se tem para fechar os olhos é beijar os lábios que nunca serão meus.



Eu sempre tive a concepção de que o amor não é algo que se possa esquecer. Menos ainda eu acreditaria que o amor pode tornar-se impossível. Nada pode impedir o amor. Não há barreiras, distâncias ou força sobre humana que impeça o amor de existir.


Porque uma simples mortal como eu acharia uma solução para isso?

Preciso parar de fugir...

  by Pollyanne Medeiros
 
Adendo: img da internet