"Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente." ~ Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dialogando com a ilusão I

Pouco mais de uma hora depois, uma súbita vontade de escrever.
Sabe, aquela sensação de choro que disse no post anterior? Não sai... Vamos lá...
Dialogando com a ilusão trasnferido pro papel...

Betina não se sentia 100% tranquila por esses dias, mas de alguma forma inexplicável quando fechava os olhos, ela podia perceber a presença dele. Sua voz, sua pele, seu sorriso... Tão próximos da realidade de seus desejos. Estava tão entretida nas suas fantasias que não percebeu que não estava mais sozinha. A surpresa se manisfestou em um grito tímido. É claro que ela o reconheceu logo. De repente, Betina entendeu porque o amava tanto. O olhar deste homem sugere mistérios que somente ela ousaria explorar. Sua alma fora atraída para ele, no entanto, ele ainda não a percebeu.
“Nossa! Não ouvi você chegar.”, disse quebrando o silêncio. Uma vã tentativa de distrair seu próprio coração das palpitações. Ele sorriu. Pôs delicamente a ponta dos dedos no seu rosto que a fez tremer levemente. Fechou seus olhos e sentiu que isso poderia ser o bastante, mas ela queria mais, muito mais. A suavidade do toque a fizera sentir o frescor do perfume dele. Porém, cedo demais seu êxtase foi interrompido. “Vim buscar você.”, disse-lhe. Uma Betina confusa teve todas as suas angústias imersas num mundo que ela agora dispersara – do esquecimento. Finalmente, ele a reconheceu. “Porque demorou tanto?”, perguntou ao Marcos. “Todo esse tempo você me amou. Como eu resistiria?”.
Betina sentiu vontade de responder-lhe. Ela sabia. Sempre soube. O tempo todo. Sorriu e chegando mais perto do homem que amava disse-lhe apenas “Beije-me.” Não haveria mais tempo, ela sentia que se aproximava. “Beije-me...”. A névoa estava alcançando-os. Porque ele não me beija logo? “Beije-me.” Então, aconteceu, pôde ver apenas o sorriso lindo de Marcos desfazendo-se junto com a névoa que o levara junto. Ele se fora. Outra vez. Betina abriu os olhos. O aperto no

coração denunciava seu vertiginoso delírio.
"Meu amor não demore tanto da próxima vez..."


É o que acontece quando não se diz a quem ama que o ama. Desse jeito... A névoa da ilusão o arrebata pra bem longe.

Pollyanne Medeiros.

fonte da imagem:internet

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